terça-feira, 30 de abril de 2013

“Vós sois a luz do Mundo” (Mt 5,14)


Antes de escrever este texto fui à capela do Seminário onde moro para fazer a minha oração. Ao chegar na capela no momento da oração tive uma inspiração sobre qual seria o tema deste pequeno texto. Isto mesmo: “vós sois a luz do mundo”, esta é a palavra para nós nestes tempos tão difíceis como os nossos, afinal de contas o tema da luz ainda está muito freqüente em nossas mentes e nos nossos corações, pois acabamos de sair de uma Semana Santa onde a Luz irrompeu as trevas e nos trouxe a certeza da Ressurreição.
Mas como esta palavra chega ao nosso coração? Como ela pode encontrar resposta na nossa vida de
cristãos? Essa palavra sobre a luz quer guiar o nosso passos nesta estrada que por vezes parece escura e solitária. No entanto, é a partir de sinais que vamos dando os passos necessários na nossa vida sendo, assim como Cristo Ressuscitado, luzes em meio a escuridão. É assim que nós Cristãos devemos ser, luzes em meio as trevas atuais. Aliás, o tempo da Páscoa que estamos vivenciando nos coloca diante de uma realidade bastante clara: somos filhos das trevas ou da luz? Claro que a Luz que caminha conosco não é um foguinho fraco, mas uma luz que ilumina até mesmo aqueles que agem na vida das pessoas fazendo com que essas pessoas se tornem outras luzes.
Hoje em dia há uma necessidade muito grande de definirmos a nossa identidade e acredito que a nossa identidade só será mais completa quando observarmos que nossa vida só tem sentido no relacionamento com Deus e com os irmãos. Tomara Deus que nós nunca percamos a  nossa missão pascal, a saber, o de morrer para ressuscitar com Cristo e assim leve consigo muitas almas para Deus, pois não podemos esquecer que no início do capítulo 28 de Mateus diz: “Depois do sábado, quando amanhecia o primeiro dia da semana Maria Madalena e a outra Maria foram ver o túmulo.”
Assim, sempre haverá um sábado em nossas vidas onde tudo parece perdido e acabado. No entanto é importante lembrar que a palavra diz que o dia amanhecia, isto é, a luz começava derrotar as trevas até acontecer o grande clarão e a mudança de direção na vidas daquelas pessoas que achavam que tudo tinha terminado; as mulheres foram ver o túmulo acreditando que tudo estava acabado, mas ao chegar constataram a grande notícia: Ele ressuscitou e não está mais aqui! Tenhamos pois a coragem de gritar para tudo aquilo que gera a morte: Ele ressuscitou e não está mais aqui, a Luz venceu as trevas e disso nós somos testemunhas, pois no Cristo Ressuscitado encontramos a vitória da Vida sobre a Morte.
Em Cristo Jesus o Ressuscitado, Pe. Emanuel Rodrigues

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Eu te amo: eu também?


Uma das palavras mais usadas no nosso vocabulário é amor. Muito se fala em amor, tudo é amor,tudo é feito em nome do amor. Estranho tudo isso, pois mesmo entendendo-se amor como sentimento não colaboramos para a compreensão desta palavra que mais do que um sentimento é uma disposição interior. Não gosto quando as pessoas dizem perto de mim que o amor é um sentimento. Isso é muito pouco para definir o amor. Definir o amor por sentimento é esvaziar tudo o que de fato ele é, pois o sentimento é passageiro, fugaz e tem a tendencia dese perder com uma simples variação de humor.

Vou provar pra você da importância daquilo que estou falando. Geralmente quando uma pessoa fala para o
outro eu te amo, a resposta é imediata: eu também. Todavia, isso não é resposta. Eu também mesmo que queira confirmar não dá sentido algo que foi manifesto. Qual a razão das pessoas não corresponderem afirmando eu amo você também? Acho que já sei: é o medo de se comprometer. Todas as vezes que respondemos eu amo você também, nos comprometemos com aquilo que foi expresso, pois o amor não é um sentimento, não será sentimento. Ele é a disposição que cada pessoa tem de acolher o outro com suas belezas e com suas imperfeições.

É por isso que o amor não pode ser um sentimento, pois o sentimento esfria nos momentos de desgosto. O sentimento esquece os compromissos feitos, o sentimento afoga aquilo que sentimos pelo outro, pois ele mesmo não está seguro do que realmente é. A disposição não, acolhe, confia, celebra e ama. Na disposição não importa quem nos chega, ele é presença de Deus. Talvez a experiencia monástica tenha algo a nos ensinar, pois no mosteiro quando chega um hóspede é o próprio Cristo que ali chegou. É disposição não é sentimento.

Dessa forma peçamos a Deus que nos ajude a amar não como um sentimento,mas como uma disposição interior capaz de acolher aquele que nos foi ofertado pelo próprio Senhor, pois Ele se deixa encontrar naquele que está ao nosso redor.

sábado, 27 de abril de 2013

Um Escândalo que Permanece Atual



            Dentre as mais variadas expressões da nossa fé a dinâmica da páscoa é a que ainda nos nossos tempos arranca inúmeras opiniões. Assim, como no texto bíblico há quem se assuste com a notícia da ressurreição, pois graças ao ateísmo moderno plantado nas nossas cabeças por uma série de programas, leituras e até músicas, muitos perdem a noção do sagrado e aos poucos se esquecem de regar a planta que um dia foi semente depositada em cada um de nós.
            Outros, ainda se escandalizam pelo fato de Jesus, mesmo sendo Deus, não “fulminar” os seus algozes“Reuniram-se estes em conselho com os anciãos. Deram aos soldados uma importante soma de dinheiro, ordenando-lhes: Vós direis que seus discípulos vieram retirá-lo à noite, enquanto dormíeis. Se o governador vier a sabê-lo, nós o acalmaremos e vos tiraremos de dificuldades. Os soldados receberam o dinheiro e seguiram suas instruções. E esta versão é ainda hoje espalhada entre os judeus.”
quando os mesmos caçoam dele pendente na cruz. Isso por vezes é motivado pela ideia dominante que diz o seguinte: “bateu, levou”. Pobre de nós… Quando Cristo chama ao perdão por vezes caem na tentação: Desce da cruz se és o Filho de Deus. Diante disso, o fato é que desde o dia em que Nosso Senhor venceu as garras da morte, vemos no evangelho a tentativa de fazer da ressurreição uma mentira. Vemos em Mt 28, 12-15:
         Assim, desde que Jesus ressuscitou vemos a tentativa, ainda que fadada ao fracasso, de omitir esta verdade de fé procurando enganar as mentes mais simples. Hoje em nossos dias vemos as investidas de tantos setores que ainda tentam dizer que os discípulos roubaram o corpo do Mestre ou ainda que a ressurreição não passou de uma ilusão coletiva. O mais engraçado é ouvir que Jesus ressuscitou, pois está vivo na experiência de vida das pessoas. Isto seria mais um consolo do que uma verdade de fé. Preferimos ficar com São Paulo (1Cor 15,14-18) quando nos diz: “Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé. Além disso, seríamos convencidos de ser falsas testemunhas de Deus, por termos dado testemunho contra Deus, afirmando que ele ressuscitou a Cristo, ao qual não ressuscitou (se os mortos não ressuscitam). Pois, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. E se Cristo não ressuscitou, é inútil a vossa fé, e ainda estais em vossos pecados. Também estão perdidos os que morreram em Cristo.”
         Dessa forma, caminhemos na luz da ressurreição, pois ela é a garantia de que não seremos confundidos nos momentos de escuridão. Ela será a garantia de que assim como o Senhor ressuscitou, nós também ressuscitaremos com Ele e para Ele.
Com a estima de sempre, Pe. Emanuel Rodrigues da Silva.
Twitter: @peemanuelsilva
Facebook: peemanuelrodriguesdasilva

sexta-feira, 26 de abril de 2013

São José Cafasso

São José Cafasso,  nasceu em Castelnuevo, Itália, no ano de 1811, onde também nasceu o grande São João Bosco. José Cafasso, desde criança, sentiu-se chamado ao sacerdócio, que foi se tornando cada vez mais forte no decorrer de sua vida com Deus.Assim, entrou para a formação sacerdotal e se tornou padre aos 23 anos, destacando-se no meio de tantos por seu amor aos pobres e zelo pela salvação das almas. Depois de comprovado e dedicado trabalho na Igreja de São Francisco em Turim, José assumiu, com toda sua bagagem de pregador, confessor e iluminado diretor espiritual, a função de reitor e formador de novos sacerdotes. Dom Bosco foi um dos vocacionados que desfrutou das formações e aconselhamentos deste santo, pois como um sacerdote sintonizado ao coração do Cristo Pastor, sabia muito bem colocar sua cultura eclesiástica, dons e carismas a serviço da salvação do próximo. Dentre tantos ofícios assumidos por este homem incansável, que foi para o Céu em 1860, despontou José Cafasso na evangelização dos condenados à forca, tanto assim que ficou conhecido com o “Santo da Forca”

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Uma Igreja para o fim

Quando lemos a história do cristianismo, sobretudo o início da Igreja, podemos observar que a religião cristã foi alvo de tantas perseguições. Lemos, quase que assustados, o exercício da barbárie humana. Imaginamos quantos cristãos foram perseguidos e mortos por causa do evangelho de Jesus Cristo. Quantos anônimos quem nem sequer um dia foram lembrados. Muitas eram as formas de se matar um cristão: decapitação, crucificação, ser jogado às feras, ser "assado" no fogo ou ainda ser colocado no óleo quente.
A não ser em alguns países que perseguem os cristãos, quase não vemos mais essas coisas. Todavia, no nosso tempo, a perseguição ainda continua e não de forma disfarçada.

Vemos uma espécie de terror que aos poucos começa a se instaurar na sociedade. Vivemos num país livre
onde a opinião não é crime. Mas aos poucos vemos acenos de que, dizer o que se pensa pode representar um incômodo nas pessoas e na sociedade. Aos poucos percebemos a Igreja ser encurralada no meio da história, pois seu discurso cada vez mais não é compreendido e, por isso mesmo, ela é entendida como uma instituição arcaica, ultrapassada e que nada tem a oferecer ao homem moderno. Justamente aqui, percebemos o maior engano, pois é essa Igreja tão difamada e perseguida, que nesses tempos tem dado sua contribuição numa sociedade que caminha em direção não sei de que. Aos gritos de modernidade, novidade vão deixando para trás os valores que são tão caros a nós cristãos. Não estou falando aqui de coisas do passado (como roupas eclesiásticas ou coisas do tipo), falo de valores essenciais para nós que somos cristãos.

É alguém que é atacado aqui, outro que é agredido ali. Até quando ficaremos pensando e nos alegrando por uma fé morna e apática? O Senhor prepara um povo forte para o fim, prepara um povo destemido capaz de dá a vida por sua Palavra. Ah, Igreja do Brasil, vamos ver como você se comporta no final... Estamos nos preparando para algo que já começou acontecer, quem tiver força e coragem verá a glória de Deus, do contrário vai ser muita gente correndo e virando as costas. Ainda, gostaria de partilhar algo com você, pois há muito tempo eu tinha uma certa desconfiança sobre essas coisas, mas depois de algumas experiências que tive, vejo que é a mais pura verdade. Ou nos preparamos para o fim, ou seremos nós mesmos o fim. Iniciemos pois essa preparação para algo que já começou. Ah, sim... Lembrei! Você não precisa concordar comigo pois somos livres, mas eu não preciso esconder o que acredito, pois estamos num país livre.

Dessa forma cada um espere pelo que acredita, pois começa a chegar um tempo onde aquilo que nós acreditamos será a única forma de nos mantermos em pé.

Com a alegria de sempre, Pe. Emanuel Rodrigues
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quarta-feira, 24 de abril de 2013

A Eucaristia: antecipação do céu


Esses dias me perguntei uma coisa: como anda nosso relacionamento com a eucaristia? Acreditamos que encontramos Jesus todas as vezes que nos ajoelhamos na hora da consagração? Com qual espírito nos aproximamos da comunhão eucarística? Certamente deve ser o mais piedoso possível. Por isso, gostaria de partilhar com vocês esse texto que escrevi.
Sobre isso, podemos nos lembrar da jovem, beata Imelda Lambertini que nos oferece um belo
exemplo sobre o amor a eucaristia. A beata Imelda sempre teve uma atenção especial a Jesus Eucarístico e por isso era comum vê-la junto ao sacrário rezando muitas vezes ao dia. Ela por ser pequena sempre pedia para comungar e perguntava-se "Como se pode continuar vivendo nesta terra após ter recebido o próprio Deus? Meu Jesus, quando poderei também eu ter a alegria de Vos receber?"  Ainda outro dia Imelda disse na hora da missa: “Meu Jesus, dizem-me que, pelo fato de ser criança, não posso ainda comungar... Mas Vós mesmo dissestes: ‘Deixai vir a Mim os pequeninos’. Eis que Vos peço, Senhor: vinde a mim!” . Mesmo sendo criança e não podendo comungar ela não desanimou e aguardou com cuidado e carinho o feliz dia em que seus lábios tocariam o corpo do Senhor.
Diante de um pedido ardoroso deste eis que o milagre aconteceu! Jesus, em seu terno amor aos inocentes e humildes de coração, não resistiu a esse apelo: uma Hóstia destacou- se do cibório, elevou-se no ar e, traçando um rastro luminoso por onde passava, foi pousar sobre a cabeça de Imelda! O ministro de Deus, vendo nesse prodigioso fato uma clara manifestação da vontade divina, tomou a Hóstia e deu-lhe a Comunhão. Com clareza Jesus vai ao encontro daqueles que o desejam ardorosamente. Após comungar ela fechou os olhos e inclinou a cabeça e ali ficou recolhida em silêncio. Terminando a missa e mesmo depois de um longo tempo ela permaneceu quieta sem nenhum movimento tanto que ninguém ousava perturbar sua adoração silenciosa. Quando foram lhe chamar um grande espanto se apoderou de todos: Imelda estava morta, seu coração não resistira a tanta felicidade!
De fato: como podemos nos aproximar de Jesus e não morrer de felicidade, ou ainda como podemos receber Jesus e não viver de felicidade? A pequena Imelda nos ensina o caminho seguro onde podemos receber Jesus da melhor forma possível. Que este exemplo de uma criança nos ensine a receber Jesus de forma mais piedosa, que a hóstia não se resuma a um pedaço de pão, ou ainda não seja um “pedaço de pão velho”, que o nosso sentimento interior seja de alegria. Já se disse certa vez: Beati mortui qui in Domino moriuntur (Bem-aventurados os que morrem no Senhor). Saibamos morrer com o Senhor, para ressuscitarmos com Ele. Que o Corpus Christi seja a festa do céu em nossas vidas.

Pe. Emanuel Rodrigues

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terça-feira, 23 de abril de 2013

Segurando um braço


Nestes dias, estive visitando um amigo padre que está trabalhando na cidade de Brejo da Madre de Deus. Foi uma experiência muito boa e cheia de alegria por conviver com pessoas tão agradáveis, isto por causa da longa amizade entre nós. 
Num dado momento, fomos a uma das igrejas da cidade e quando chegamos me deparei com a imagem do Senhor morto. Essa imagem foi esculpida por um escravo e foi o preço para a sua libertação. Nesse momento em que conversávamos ao lado da imagem, que era em tamanho real, segurei o braço de Jesus, pois o mesmo tinha articulações e podia ser movimentado. Ali estava eu! Segurando um braço, mas não um braço qualquer, segurava o braço de Jesus. Foi tão grande a emoção que comecei a rezar, rezar e rezar. Não tive outra reação, só quis rezar. Fiquei pensando em muitas cenas do evangelho onde Jesus usa suas mãos e o seu braço para curar, acalmar o mar, mostrar aos discípulos as marcas da paixão e também para carregar a cruz. Além disso, pensei nas inúmeras vezes que Nossa Senhora segurou naquele braço ainda pequeno e pedi por assim dizer que Jesus e Maria não soltassem os meus braços, pois sem o auxilio de Papai do Céu e Mamãe do Céu as dificuldades da vida podem nos derrubar.
Não é sem razão que Santo Agostinho ao meditar sobre a Virgem Maria diz:“Entre todas as mulheres, Maria é a única a ser ao mesmo tempo Virgem e Mãe, não somente segundo o Espírito, mas também pelo corpo. Ela é Mãe conforme o Espírito, não apenas d’Aquele que é nossa Cabeça, isto é, do Salvador do qual Ela nasceu, espiritualmente. Pois todos os que Nele creram – e nesse número Ela mesma se encontra – são chamados, com razão, filhos do Esposo (Mt 9,15). Mas, certamente, Ela é Mãe de seus membros, segundo o Espírito, pois cooperou com sua caridade para que nascessem os fiéis na Igreja – os membros daquela divina Cabeça – da qual Ela mesma é, corporalmente, a verdadeira Mãe. Convinha, pois, que nossa Cabeça, por insigne milagre, nascesse segundo a carne de uma virgem, dando a entender que seus membros, que somos nós, haviam de nascer segundo o Espírito dessa outra virgem que é a Igreja. Somente Maria, portanto, é mãe e virgem, no Espírito e no corpo. É Mãe de Cristo e também Virgem de Cristo.”
Te pedimos Mãe de Deus, não permita que sejamos vencidos pelas quedas, mas nos segura pelo braço assim como segurastes teu Filho tantas vezes. Queremos estar em teus braços, pois estando Contigo, teu Filho nos perdoará já que o que temos de mais valor carregamos nos braços.
Com carinho,
Pe. Emanuel Rodrigues da Silva
Twitter: @peemanuelsiva
Facebook: peemanuelrodriguesdasilva

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